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Formação: Economia Pós-graduação: Administração de Empresas Especialização: Transportes internacionais Colaborador do site Aduaneiras.
Como todos tivemos oportunidade de acompanhar em 2005, o dólar norte-americano sofreu um enorme revés em relação ao real e nossa moeda terminou o ano muito valorizada. Um dos possíveis problemas é algum prejuízo às exportações e melhoria das condições para a importação. Essa questão, no entanto, não é necessariamente grave, como venho comentando em outros artigos, já que defendo que um dólar muito alto ou muito baixo não quer dizer necessariamente problemas ao comércio exterior. Há outros fatores a serem considerados. Até porque, um dólar baixo é uma excelente oportunidade de modernização da indústria por meio da importação.
Há, porém, um problema sério a ser considerado em relação a um real valorizado e o governo e órgãos oficiais já estão usando o fato indevidamente, como é normal. O IBGE já apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) do País atingiu um valor de R$ 1,793 trilhão, com aquele irrisório crescimento de 2,3%, bem abaixo da média mundial e das Américas, ambos chegando a 4,3%. Enquanto os países emergentes atingiram 6,0%, com a China e a Argentina atingindo, respectivamente, 9,9% e 9,2%. Na América, só crescemos mais que o Haiti, que se diga de passagem está em guerra civil e o Brasil está com soldados lá, tentando não deixar degringolar de uma vez.
No entanto, já foi divulgado que o País passou da 14a para a 11a posição entre as maiores economias mundiais. E o IBGE, de boa-fé ou tendenciosamente, já declarou que o crescimento da economia foi sustentado pelo consumo interno em detrimento das exportações. Eis mais uma fantástica e fantasiosa interpretação da tragédia brasileira. E bota tragédia nisso. É de pasmar a facilidade com que se levam as pessoas a acreditar no irreal e em fatos completamente inverídicos, utilizando-se a matemática, que, segundo dizem, não mente jamais. A matemática não, mas os governantes brasileiros, a todo momento.
O IBGE diz que o peso das exportações diminuiu e, segundo seus termos divulgados pela imprensa: “As exportações tiveram um crescimento menor em 2005, na comparação com outros setores da economia, segundo cálculo apresentado. Em 2004, as exportações haviam contribuído com 18,0% do PIB e em 2005 o volume caiu para 16,8%.”
Este país realmente brinca com as pessoas e seus sentimentos e vale tudo em ano eleitoral.
É óbvio que, se a economia cresceu míseros 2,3%, uma das menores taxas do mundo, e se a exportação brasileira cresceu 23%, passando de US$ 96 bilhões para US$ 118 bilhões, o divulgado é uma falácia e serve apenas a propósitos eleitorais.
A grande mágica matemática é que o PIB, para consumo internacional, para comparação entre os países, é medido em dólares norte-americanos. E este foi bastante deprimido em 2005, fechando o ano em quase R$ 2,00, apresentando uma média de R$ 2,43 contra pouco mais de R$ 3,00 em 2004. Assim, dividindo-se a “merreca” de nosso PIB em reais pelo desvalorizado dólar, temos um PIB robusto na moeda norte-americana, evoluindo de US$ 605 bilhões para US$ 796 bilhões, com “crescimento” de fantásticos 32%, que nem a China conseguiu crescer com seus parcos 9,9% (sic).
Assim, percebe-se a falácia dos argumentos do IBGE. Isso já havia ocorrido em meados da década de 90, quando o real, depois do Plano Real (sic) “caiu” para R$ 0,83, tendo chegado, em 13/01/99, a R$ 1,22. Quando, finalmente, ocorreu uma desobediência civil, com a sociedade não aceitando o valor estabelecido de R$ 1,32 para 14/01/99, com o mercado abrindo, em 15/01, a R$ 1,48, obrigando o governo a liberar e deixar flutuar a moeda.
Brasileiros, uma vez mais, brinca-se com o povo, utilizando-se de falácias econômicas para mostrar um crescimento mais de três vezes maior que o da China e o da Argentina, quando, na realidade, nosso crescimento foi quatro vezes menor que daqueles dois países.
A matemática não mente, mas a má-fé, sim e há de se tomar o devido cuidado ao ler e analisar tal estapafúrdia declaração. O irrisório crescimento nacional ocorreu graças ao crescimento da exportação, caso contrário, teríamos amargado uma humilhação maior perante o mundo e o crescimento teria ficado em cerca de 1,4%, abaixo, inclusive, do próprio e pobre Haiti. Isso talvez prove, àqueles que vivem insistindo nisso, que Deus é mesmo brasileiro. Ainda bem, porque, se não fosse...
Como sempre ensino e insisto com meus alunos, nunca leia ou ouça o que foi escrito ou dito, mas aquilo que não foi escrito ou dito. Quer dizer, leia e ouça o que não foi mencionado, o que está nas entrelinhas, que é a própria verdade não dita, mas escamoteada.
É uma pena que esse tipo de coisa ocorra e a população não seja suficientemente letrada, nem mesmo tenha expertise em economia para entender isso.
Brasileiros, por favor, analisem e parem de se deixar enganar, em especial pelos nossos políticos. Deixem de acreditar que ninguém vê, ouve, lê etc., que político brasileiro conserta relógio de pulso com luvas de box, no escuro. E muito, muito mais.
Fonte: Aduaneiras - Informação sem fronteiras.
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